quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

SENADOR SÁ | HISTÓRIA: MARIA JOSÉ TEIXEIRA

Capelinha atualmente
Maria José Teixeira, era o nome de uma jovem que foi encontrada morta enterrada na areia de um riacho nas proximidades do distrito de pitombeiras, hoje Senador Sá, no início do século XX. O fato chocou a região na época.

Até o momento ainda não foi comprovado a data do sinistro, nem a idade da jovem na época do ocorrido, o que se sabe até hoje, foi, e ainda é repassado através de fontes orais, por meios de depoimentos de idosos, muitos deles, até devotos da finada.
Se é fruto da imaginação, não sabemos, mas contam os mais velhos que Maria José era uma jovem de mais ou menos 20 anos de idade, que residia em uma localidade as margens do açude tucunduba, uns dizem ser a localidade Conhã, outros Croa do Angico, outros, Boi Manso, porém nada confirmado, no entanto, os lugares são vizinhos.
De acordo com os relatos, o assassino da jovem foi um homem identificado como sendo Chico Nicolau, o mesmo, conforme os narradores, tinha um ‘namorico’ com a jovem, ‘que era considerada pura’ conformes os delatores, pois não havia ainda conhecido um homem.
Chico Nicolau vivia como cacheiro viajante, andando de cidade em cidade vendendo coisas que levava em lombo de animais, e sempre em suas andanças passava na casa da jovem. Certa vez, chico quis ‘usar a moça(sic)’, ela porem disse que só depois de casar. Depois de muita insistência sem sucesso, chico convida a jovem para fugir com ele para se casarem nas Pitombeiras, “e na inocênça, a bichinha foi (sic)”, assim dito por um ancião. No trajeto, a cerca de meia légua para chegar as pitombeiras, chico quis relações com a moça, que negou com a mesma história“ só depois de casar!” segundo nos foi relatado. Nisso, Chico Nicolau quis usar da força para o ato, comprovado pelos mais velhos, porque “as roupas dela tava toda rasgada”, encontrando resistência, chico a matou a paulada, e usou-a as margens da estrada, depois a enterrou em cova rasa as margem de um riacho que tinha ali perto, descrito por alguns como sendo arapuá, mas alguns dizem que o correto é riacho do salgado.
A notícia da fatalidade chegou as pitombeiras somente dias depois, quando um morador da fazenda chamada barrocão, propriedade onde ficava o local do sinistro, ao procurar por uma cabra parida, encontrou o corpo da moça.
Narram os idosos, que o homem não havia encontrado a cabra, porém, ao perceber uns aglomerados de urubus pairando no céu, supôs que o animal tivesse parido e as aves de rapina queriam comer os cabritos, dirigiu-se então ao local. Ao se aproximar começou a sentir o mau cheiro, e se aproximando mais, encontrou apenas um monte de terra na areia do riacho, e ao mexer, percebeu que era uma pessoa, “ foi susto grande qui ele pegou(sic)”.
O vaqueiro, atordoado, veio a pitombeiras contar o fato ao então delegado, (outros dizem que era o coronel) sobre o achado, porém não foi ouvido, pois, segundo alguns depoimentos, no dito dia, havia tido uma briga de faca na cidade e os dois brigões haviam se matado nas proximidades dos quartinhos, que hoje é o mercado central, por isso o fato passou despercebido para a comunidade de pitombeiras.
Algumas pessoas por curiosidade foram até o local, e lá um grupo de homens removeram os restos mortais para um local próximo para enterrar, nesta tarefa encontraram um lenço bordado, que posteriormente foi entregue as autoridades locais, no lenço tinha o nome de Maria José Teixeira.
A tragédia foi algo muito badalado na região, pois era o primeiro estupro seguido de morte que se tinha notícia naquela época por essas bandas, por tal fatalidade incomum todos sentiam-se comovidos e sempre que alguém passava no local “parava e rezava pela arma da Maria José”. O local do sepultamento era apenas um “amuntuado de arêa e pedra com uma cruzinha de madeira amarrada de moróró(sic)”, “a cruizinha” ou “as cruizinhas”, assim foi ficando conhecido o local onde estava enterrada o corpo da jovem, algumas pessoas que passavam pelo local além de rezar, faziam pedidos e promessas.
Assim, segundo relatos, foi feito a primeira laje por um homem das pitombeiras no local, em pagamento a uma graça alcançada, em pouco tempo, surgiram os boatos das promessas e graças recebidas. O local no meio do mato, “ na beira do camim do barrocão” tornou-se um local sacro, onde as pessoas “ia tirar teço, e pidir milague(sic)”, e eram atendidos, segundo eles.
Capelinha atualmente


Capelinha atualmente
Começou-se a amontoar centenas de pernas, mãos, seios, coxas e cabeças de madeiras, como símbolo do pedido atendido “ a pessoa quebrarra a perna e fazia a promessa de tirar o teço, e si ficarra boa, lerrarra o milague(sic)”.
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Em pouco tempo, a ‘cruizinha’, ficou bem popularizada no meio religioso, sendo que um morador de pitombeiras de nome Manoel Marques, segundo relatos, mandou construir uma capela no local, surgindo assim a igrejinha das ‘cruizinhas’.
O tempo passou e a popularidade de Maria José só aumentava, até que um dia, não se sabe ao certo quem, solicitou ao então bispo D. José Tupinambá da Frota que fosse benzer a igrejinha, o que foi negado pelo religioso, muito respeitado na época, tal qual nossos narradores “don jusé, disse qui a igreja era de manel marques e não da diocese, e num benzeu(sic)”.
O tempo foi passando e a história ainda existe na cabeça dos mais velhos.
Capelinha atualmente
As promessas feitas a Maria José Teixeira estão presentes até os dias de hoje, para se ter um exemplo, o hospital municipal que leva o nome Maria José Teixeira, segundo fontes, recebeu este nome em pagamento de promessa feita por José Rui Nogueira Aguiar, que, segundo relatos, havia prometido colocar o nome da unidade caso fosse eleito nas eleições de 1996, quanto foi candidato a prefeito pela primeira vez, vencidas as eleições, alterou o nome da unidade que se chamava hospital e maternidade Valdemar de Alcântara, em homenagem ao pai de Lúcio Alcântara, o nome de Maria José permanece até hoje.
O padre João Bosco Arruda Linhares, quando esteve no comando da paroquia de Nossa Senhora do Amparo, de 2008 a 2011, ainda chegou a reformar a igrejinha que vivia abandonada e tentou incentivar com o apoio da comunidade, uso do local para pequenas celebrações, porém o mesmo foi transferido e o padre seguinte (talvez) nem sabe que essa igreja existiu (e ainda existe).
Capelinha atualmente

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Fonte: Orais.
Monografia de Francisca Machado.

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